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Quem tem entre 30 e 40 anos certamente se lembra das “músicas” da Portela, da Mangueira, do Salgueiro, do Império Serrano – na época, ainda no grupo das grandes escolas de samba - com certa nostalgia. No tempo dos inesquecíveis sambas-enredo, as letras e melodias tinham o poder de “grudar”, literalmente, na boca do povo, nas mentes de cada brasileiro, a ponto de se eternizar como crônica da época.
Expert no conhecimento sobre a origem das escolas e de como seus hinos passaram por transformações históricas desde sua criação, o professor de História do pH Luiz Antônio Simas, junto com Alberto Mussa, resolveu contar um pouco desse enredo. Os autores, que também são compositores, se debruçaram sobre o contexto em que as primeiras escolas de samba nasceram. Influenciadas pelo antigo rancho, essas primeiras agremiações pretendiam tirar o samba da marginalidade e afirmá-lo como manifestação cultural aceita pela classe dominante. Por isso, os primeiros sambas de enredo homenageavam personagens ilustres da história.
“Samba de enredo – História e Arte” traz a análise de 1324 sambas, a partir da famosa polêmica musical entre Noel Rosa e Wilson Batista, até os dias de hoje, quando o espaço do samba-enredo diminuiu, dando lugar a megaproduções e ao gigantismo das escolas. Mesmo para quem não tem lá muito samba no pé ou prefere fugir da folia carnavalesca, o livro vale a pena por tratar da evolução de uma manifestação cultural que acabou se tornando a marca do Brasil no mundo. Portanto, aqueça sua bateria mental e bom desfile pela história desse gênero musical tão nosso.