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É possível extrair arte do lixo? Restos de espaguete e molho de tomate podem produzir beleza? Quantas cores, formas e volumes residem em pequenos brinquedos de plástico? Sucata, linha de costura, cabelo, arame, calda de chocolate e até poeira viram portraits, paisagens e reproduções de clássicos das artes plásticas nas mãos mágicas – sim, suas obras mais parecem ilusionismo! – do brasileiro Vik Muniz. Formado em publicidade, ele reedita o conceito de artista múltiplo: é escultor, pintor, desenhista, gravador e, ainda, fotógrafo.
Insatisfeito com materiais e plataformas convencionais, Vik resolveu utilizar de restos produzidos em ‘lixões’ ao singelo açúcar para produzir suas imagens. Como trabalha com componentes extremamente perecíveis, fotografa as peças, retomando a idéia de Andy Warhol de que a reprodução de uma obra é sempre uma nova obra. Tem Botticelli e Goya feitos de material reciclável e peças de quebra-cabeça desencaixadas; Monet feito de pigmentos de tinta; musas de Hollywood compostas de diamantes e caviar; e até uma Monalisa de molho de tomate e creme de amendoim.
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| material: restos de um 'lixão' | material: sobras de espaguete e molho | material: sucata reciclável |
Vik Muniz é um dos artistas contemporâneos com maior prestígio internacional. Tem obras suas no MoMa e no Metropolitan Museum, de NY, onde é radicado. Sintonizado com as reflexões da arte pop e contemporânea, Vik questiona a capacidade da retina de apreender o real, critica a sociedade de consumo – uma de suas obras mostra um mapa-múndi de peças velhas de computador – e, mais do que tudo, parodia a arte considerada ‘séria’ e realista. Memória, representação, perenidade e veracidade são conceitos frequentes na obra do artista.
Agora, o melhor: até 22 de março de 2009, você pode se deixar encantar e surpreender pela genialidade do artista. O MAM abriga uma exposição do artista, com um belo panorama de suas fases. Há até mesmo vídeos em que se pode ver, aceleradamente, a ‘montagem’ de algumas obras. O universo fantástico de Vik é uma viagem imperdível! Para ele, o autor só é responsável por metade da obra, cabendo ao público, com sua visão, interpretação e lembrança, construir a outra metade. Portanto, não perca esse desafio – até porque, além de uma bela referência cultural para sua redação e experiência (visual e sensorial) para seu olhar, Vik Muniz ajuda a entender, com os cinco sentidos, o paradigma e os questionamentos da contemporaneidade.